Missionários da África

NOSSA VOCAÇÃO MISSIONÁRIA

Deus nosso Salvador quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus, e também um só mediador entre Deus e os homens, um homem: Cristo Jesus, que se entregou em resgate por todos. 1 Timóteo 2,3-6

Fundada em 1868 pelo Cardeal Lavigerie, Arcebispo de Argel, nossa Sociedade é um Instituto Missionário de padres e de irmãos que vivem em comunidade. Sua finalidade é anunciar o Evangelho aos homens do mundo africano. Devido a suas origens, a Sociedade sempre dedicou uma atenção particular aos crentes do Islã. Ela adotou o nome de “Sociedade dos Missionários da África”.

A Sociedade dos Missionários da África é uma Sociedade de Vida Apostólica de Direito Pontifício junto à Congregação para a Evangelização dos Povos. Ela possui a personalidade jurídica pública de Direito eclesiástico.

Em certos países, por causa de seu hábito tradicional, a Sociedade é mais conhecida pelo nome de “Padres Brancos”.

Ainda hoje, é entre os homens do mundo africano que nós realizamos nossa vocação e nosso projeto apostólico: ser testemunhas do Reino de Deus e partilhar com aqueles que o acolhem a graça da Boa Nova. Todos os nossos compromissos, em sua diversidade, são orientados para este fim.

O anúncio do Evangelho e o serviço dos homens pedem que nós sejamos solidários com as comunidades humanas no seio das quais nós vivemos. Assim, pode-se instaurar, em respeito e estima recíprocos, o diálogo com outras tradições religiosas e outras culturas.

Nossa caminhada se inspira na de Cristo em sua Encarnação: ela dá testemunho do próprio respeito de Deus pela liberdade das pessoas e pelos caminhos individuais e coletivos. Por isso, ela está atenta às riquezas culturais de cada povo e se esforça por penetrá-las com a luz do Evangelho.

A comunhão com as aspirações e sofrimentos dos homens exige de nós uma atenção aos mais pobres, um compromisso pela justiça e pela paz, um cuidado com a promoção dos homens para uma vida mais humana. Assim, todos e cada um serão mais bem reconhecidos em sua dignidade de filhos de Deus.

Ao aprovar oficialmente a Sociedade, recomendando-nos ser fiéis ao carisma do Fundador, a Igreja nos faz partilhar de modo particular de sua responsabilidade na evangelização dos povos.

Enviados pelo Papa, cabeça do corpo episcopal e pastor da Igreja universal, nós somos sinais e artesãos da comunhão entre as Igrejas. É nos inserindo nas Igrejas que nos acolhem, mantendo sempre um vínculo vivo com nossas comunidades de origem, que cumprimos concretamente nossa missão.

São diversas as situações religiosas que encontramos: elas não cessam de evoluir. A fidelidade à nossa inspiração original e as obrigações que decorrem de nossos compromissos anteriores orientam nossas escolhas apostólicas.

Ali onde a Igreja está praticamente ausente, precisamos inaugurar ou prosseguir o diálogo da Salvação: levar cada um a se interrogar mais profundamente para melhor responder ao chamado de Deus em Jesus Cristo. Quando isto for possível, o anúncio do Evangelho visará a fundar comunidades cristãs.

Ali onde a Igreja já está presente e faz apelo a nosso serviço, nós colaboramos no reconhecimento de sua autoridade e de sua responsabilidade. Nós nos comprometemos a serviço das Igrejas locais com nosso caráter próprio: o objetivo é sempre o de ajudar a preparar o futuro de comunidades vivas e missionárias que tenham o cuidado da unidade entre os cristãos e do anúncio do Evangelho. É assim que nós fazemos parte das Igrejas locais às quais somos enviados.

A extensão e as modalidades dessa colaboração são determinadas em acordos que levem em conta as opções missionárias da Sociedade e o bem dessas Igrejas.

Nossa presença em nossas Igrejas de origem também é missionária, na linha do projeto apostólico comum de nossa Sociedade. Nós as ajudamos a se abrirem às Igrejas do mundo inteiro, a tomarem mais consciência das riquezas e das necessidades dos povos, e a enfrentarem suas responsabilidades missionárias.

Embora pertencendo a uma multidão de comunidades, nós formamos, todos juntos, uma só e grande família. Cumprindo a missão que lhe é designada, cada um contribui com sua parte para a obra comum. Aqueles que sofrem com sua inatividade, seja pela idade ou pela doença, são plenamente ativos para a Missão, graças à oferenda de sua oração e de sua vida, unida à de Cristo.

A VIDA APOSTÓLICA

Eu peço para vós sobretudo a graça do apostolado. Antes de tudo, é ela que vos é necessária. Sede apóstolos, apenas isto, ou pelo menos não sejam nada exceto para esta finalidade. Lavigerie, 22 nov. 1879

A caridade de Cristo nos constrange (cf. 2Cor 5,14), faz de nós apóstolos e unifica toda a nossa vida pelo serviço do Evangelho. Animados por esta caridade e dóceis ao Espírito, nós consagramos nossa vida a anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho.

A força do Espírito faz de nós homens de esperança. Nossa fé em Jesus Cristo Salvador, nossa confiança em Deus nosso Pai, a certeza de que o Espírito Santo age na comunidade dos crentes e na consciência de todos os homens são a fonte de nosso dinamismo missionário. No trabalho cotidiano – no interior e nas fronteiras da Igreja – nós vivemos alegremente esse dinamismo, em atos e palavras, com um “devotamento acima do ordinário”, na esperança do Reino.

No seguimento de Jesus Cristo, somos enviados a levar a Boa Nova aos pobres, anunciar o Reino de paz, de justiça e de fraternidade. Por nossos atos, nossas palavras e nosso estilo de vida, queremos ser as testemunhas do amor preferencial do Pai pelos pequenos e pelos pobres.

A caridade apostólica exige de nós o “tudo para todos” (cf. 1Cor 9,22), isto é, uma atitude de acolhida, de abertura, de proximidade aos homens; uma grande simplicidade em nossos relacionamentos com eles; o estudo perseverante de sua língua e de seus costumes; um conhecimento da história, das culturas e das situações dos países onde trabalhamos; uma participação ativa nos esforços que visam a encarnar de o Evangelho em todas as culturas.

A obediência apostólica é uma atitude fundamental de nossa vida de enviados. Ela nos faz semelhantes a Cristo, fiéis à vontade do Pai, atentos ao Espírito Santo. Ela nos torna prontos a buscar a Deus em todas as coisas, disponíveis àquilo que pedem de nós a Igreja e os responsáveis pela Sociedade.

Nossa pobreza pessoal e comunitária é fidelidade ao Espírito de Jesus. Para viver nossa condição de homem, Cristo se despojou de si mesmo (Fl 2,7), por amor, tudo partilhou e tudo doou. Desapegados de tudo, nó estaremos mais disponíveis aos apelos do Espírito para a Missão. Nós seremos mais abertos a todos os homens, prontos a partilhar com eles tudo o que possuímos de Deus.

Nossa pobreza pessoal e comunitária deve ser um testemunho evangélico. A partilha de nossa vida e de nossos bens, nosso estilo de vida simples querem testemunhar nossa solidariedade com os pobres e nossa recusa em dar prioridade à riqueza e ao conforto material.

Nossas comunidades são o primeiro lugar para partilhar e pôr em comum aquilo que somos e aquilo que temos. Elas devem ser também o lugar de discernimento comunitário para o uso de nossos bens pessoais e dos dons recebidos. Tudo o que recebemos ou adquirimos por nosso trabalho é destinado ao serviço do Reino, segundo as Regras da Sociedade.

O celibato, livremente escolhido por amor a Cristo e ao Reino, é um dom do Espírito. Este dom nos torna livres para nos apegarmos sem reservas ao Senhor; ele faz de nós homens-para-os-outros em nossas comunidades e junto daqueles aos quais somos enviados. O celibato nos convida incessantemente a abrir nossos corações às Bem-aventuranças de Cristo e aos valores que permanecem, e a dar testemunho deles diante dos homens de nosso tempo. A vida fraterna nos ajuda a viver isto na alegria.

Nós também alimentamos a decisão íntima de conservar o “sentido de Igreja”, como outrora nossa Fundador, e de ser solidários com o Povo de Deus, na fidelidade ao Papa que preside a caridade das Igrejas.

Desde suas origens, nossa Sociedade se colocou sob a proteção de Maria Imaculada, Rainha da África. A Virgem Maria é o modelo perfeito de uma vida espiritual apostólica. Levando uma existência semelhante à de todos, mas intimamente unida a seu Filho Jesus Cristo, ela cooperou para a salvação de todos os homens de modo absolutamente único. A ela nós confiamos nossa vida e nosso apostolado.

A VIDA ESPIRITUAL

Nossa vida espiritual consiste em nossa existência apostólica cotidiana, vivida em profunda conformidade com o Evangelho e na docilidade ativa ao Espírito. Ela é o encontro com Deus tanto na oração como no serviço aos homens; ela é crescimento na santidade pela mesma atividade do amor divino derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5).

Uma vida apostólica guiada pelo Espírito exige uma espiritualidade, uma forma de viver que nos abra à ação de Deus em nós. Fiéis a nosso Fundador e à tradição viva de nossa Sociedade, nós nos inspiramos na espiritualidade inaciana. Esta nos faz descobrir a presença e a ação de Deus no próprio coração de nossa vida. Ela nos convida a uma escolha e a uma superação livres e permanentes para instaurar o Reino de Deus no mundo e nos identificar cada vez mais a Cristo.

Ao partilhar a missão de Cristo, o apóstolo quer unir-se à oração dele. Nossa oração, como a dele, é comunhão com Deus: ela é adoração, louvor, ação de graças; ela nos permite discernir a vontade de Deus nas pessoas, nos acontecimentos e nas situações. Ela intercede pelos homens a fim de que eles acolham o dom da Salvação.

Nós estamos conscientes da necessidade, para a evangelização, de nossa oração pessoal e comunitária; queremos também partilhar da oração dos cristãos. A oração é alma de toda a nossa vida apostólica e um testemunho junto aos crentes e não crentes entre os quais nós vivemos.

É indispensável organizar nossa oração pessoal e comunitária. Cada comunidade decide sobre o tempo, o ritmo, as formas de sua oração comum, e faz regularmente a sua avaliação. Ela ordena sua vida de modo que a oração pessoal de cada um seja garantida e encorajada.

As verdadeiras fontes da vida espiritual são a Palavra de Deus, a liturgia e a caridade vivida. Nossa vida aí encontra solidez, dinamismo e alegria.

A Eucaristia é o ápice de nossa oração de apóstolos. Ela é preparada e prolongada pela leitura e meditação cotidiana da Escritura, pela oração das Horas em união com toda a Igreja.

Os missionários recitam todos os dias Laudes e Vésperas (cf. can. 1174, § 1). Cada comunidade determina as Horas a serem recitadas em comum. Os missionários ordenados são obrigados, além disso, a recitar cada dia a Liturgia das Horas integralmente (can. 276, § 2, 3°).

O discernimento no Espírito, a prática do diálogo espiritual, o recurso regular ao sacramento da reconciliação, o retiro anual e os retiros mensais nos ajudam a prosseguir nossa caminhada, com todo o nosso ser voltado para o objetivo: ser alcançados por Cristo Jesus (cf. Fl 3, 10-14).

A Sociedade recomenda aos missionários a leitura cotidiana de autores espirituais e uma forma concreta de devoção à Virgem Santíssima. Ela propõe um retiro de trinta dias depois de muitos anos de vida missionária.

Cada comunidade decide sobre a forma a ser dada às orações comuns pelos missionários e benfeitores falecidos. Muitas vezes no ano celebra-se a Eucaristia nesta intenção. 

A comunidade da Casa Generalícia celebra cada ano uma Eucaristia na intenção de todos os missionários e benfeitores falecidos, e uma outra em memória do Fundador.

A VIDA COMUNITÁRIA

Desde as origens da Igreja, comunidades vivas dão testemunho de Jesus Cristo junto aos homens de seu tempo. Ao fundar a Sociedade para anunciar o Evangelho aos homens do mundo africano, o Cardeal Lavigerie quis que a vida de comunidade fosse uma de suas características essenciais.

Pelo espírito de família que reina entre seus membros, nossa Sociedade quer ser um sinal de unidade tanto em cada uma de suas comunidades, quanto em seu conjunto. Viver o ideal proposto por Cristo – “que eles sejam um como nós somos um (Jo 17,11) – já é, por si só, uma manifestação do Reino. Uma comunidade apostólica viva dá testemunho por sua simples existência.

A comunhão e a partilha da fé em comunidade são a nossa primeira resposta ao chamado de Cristo. Em torno da Eucaristia e da Palavra de Deus, juntos, nós fazemos a experiência do amor de Deus e procuramos pô-la em prática. Assim, nossa comunidade quer ser o lugar onde nós nos evangelizamos mutuamente.

Pela comunhão e pela partilha na vida cotidiana, os missionários procuram criar uma atmosfera na qual cada um se sente aceito e valorizado. Isto pede, da parte de todos, uma vontade de serviço, de abertura e de apoio mútuo.

Enfim, pela comunhão e pela partilha no trabalho apostólico, nós manifestamos que é em comunidade que somos enviados em missão. O trabalho apostólico é concebido, organizado e normalmente realizado em comum. A comunidade inteira é responsável pelo anúncio do Evangelho, ainda que seus membros tenham variadas tarefas apostólicas.

As comunidades locais são células vivas onde se vive o Espírito da Sociedade e de onde brota sua atividade apostólica. Elas são compostas de pelo menos três membros da Sociedade. Tanto quanto possível, que elas sejam internacionais. Ao direito de cada um pertencer a tais comunidades, corresponde o dever de participar ativamente de sua vida e de sua irradiação.

Viver juntos na mesma casa é uma característica normal de nossa vida de comunidade. Uma verdadeira vida de comunidade jamais é conquistada por antecipação: ela está incessantemente em construção e visa a uma comunhão sempre mais profunda, a uma verdadeira partilha em todos os níveis.

Para animá-la e promover sua unidade, cada comunidade tem um superior. Ele vela particularmente pelo crescimento humano e espiritual de seus irmãos. Entretanto, todos os membros da comunidade são corresponsáveis.

O conselho local periódico é um meio privilegiado de diálogo comunitário. Ele é ocasião de avaliar a verdade e a qualidade de nosso testemunho, de discernir juntos os aspectos espirituais, apostólicos e comunitários de nossa vida missionária, e de procurar os meios de pô-los em prática.

Para o bem do apostolado, um missionário pode aceitar formar comunidade com outros agentes apostólicos, padres, religiosos ou leigos; isto exige que cada um o aceite, livre e explicitamente, e seja preparado para viver, rezar e trabalhar em comunidade. Tais comunidades são um testemunho precioso da vida evangélica e da universalidade da Igreja.

Para realizar em nome da Sociedade uma tarefa apostólica particular, bem como por razões de saúde ou de estudos, um missionário pode pedir para viver fora da comunidade. Sempre que possível, um vínculo real seja estabelecido entre aquele que vive fora da comunidade e uma comunidade ou setor da Sociedade. Todos os missionários envolvidos são corresponsáveis pelo fortalecimento desse vínculo.

O COMPROMISSO MISSIONÁRIO

Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes frutos, e vosso fruto permaneça. João 15,16

A vocação missionária é um chamado de Deus para continuar a missão de Cristo, na comunhão de sua Igreja.  Ela é uma maneira particular de viver a consagração que decorre do Batismo e da Confirmação.

Por seu compromisso, o missionário se consagra totalmente a Deus e se une aos outros membros da Sociedade para instaurar o Reino de Cristo entre os homens do mundo africano.

O missionário permanece pessoalmente responsável diante de Deus pela resposta que, com a ajuda de seus irmãos, ele dá ao chamado de Deus.

A fidelidade à vocação jamais se adquire de uma vez por todas. Ela deve aprofundar-se ao longo dos dias para que ela possa ser o sinal autêntico do dom que o missionário faz de si mesmo.

O compromisso missionário na Sociedade se faz por meio de uma solene promessa sob a fé do juramento.

A fórmula do juramento é, para todos os membros, a seguinte:

“Em presença de meus irmãos reunidos e de vós, ó Pai, eu, ….., faço o juramento sobre os Evangelhos de me consagrar de agora em diante e até a morte (ou: por três anos) à missão da Igreja na África segundo as Constituições da Sociedade dos Missionários da África, colocada sob a proteção de Maria Imaculada, Rainha da África.  Em consequência, eu prometo e juro ao Superior Geral da Sociedade fidelidade e obediência em tudo o que diz respeito à prática da Caridade apostólica e à vida comum. Além disso, eu prometo e juro observar o celibato por causa do Reino.”

Pelo juramento na Sociedade:

o missionário se consagra a seguir a Cristo;

ele põe sua vida, sob todos os seus aspectos, a serviço do Evangelho e da missão na Sociedade;

ele promete ao Superior Geral obedecer em tudo o que diz respeito à prática do apostolado e da vida em comum;

ele se compromete a viver com seus irmãos um estilo de vida simples;

ele assume livremente o celibato por causa do Reino.

Pelo juramento perpétuo, ele promete manter fielmente este compromisso até a morte.

A Sociedade tem as seguintes obrigações para com seus membros:

ela ajuda cada um a realizar sua vocação missionária, dando-lhe a possibilidade de se integrar totalmente na obra comum, tendo em conta seus talentos e suas qualidades;

ela se compromete a cuidar de cada um de seus membros, na saúde e na doença, a dar a cada um a ajuda espiritual de que ele necessita, a prestar-lhe uma confiança sincera e fraternal, e a respeitar sua reputação em toda justiça e caridade.

ASSOCIAÇÃO

Certas formas de associação ou de cooperação com a Sociedade podem ser consideradas.  Padres ou leigos desejosos de se comprometerem a serviço da Missão podem ser ligados à Sociedade como associados ou cooperadores.

A VIDA MATERIAL

A multidão daqueles que se tornaram crentes tinha uma só coração e uma só alma, e ninguém considerava com sua propriedade qualquer de seus bens; ao contrário, eles punham tudo em comum… Ninguém entre eles era indigente.  Atos 4,32.34

Do ponto de vista da vida material, o compromisso com a Sociedade acarreta as seguintes consequências.  A Sociedade cuida de seus membros na saúde e na doença. O missionário renuncia, em proveito da obra comum, a tudo o que ele pode adquirir por seu trabalho.  Ele mantém o direito de possuir bens pessoais, adquiri-los e usá-los.  Cada missionário toma a seu cargo tudo aquilo que se refere à manutenção estritamente pessoal, por meio dos recursos que lhe garante o Direito próprio da Sociedade.  A utilização dos bens, mesmo pessoais, tanto para o apostolado quanto para a vida de comunidade, se faz em diálogo com os responsáveis após um discernimento apostólico na comunidade local (22.3).

A FORMAÇÃO

Jesus se voltou e, vendo que eles o estavam seguindo, disse-lhes: “Que procurais?” Eles responderam: “Rabi, onde moras?” Ele disse-lhes: “Vinde e vereis”. Eles foram, pois, e viram onde ele morava e permaneceram junto dele. João 1,38-39

Chamados a ser testemunhas do Evangelho, nós queremos, como os Apóstolos, pôr-nos na escola de Cristo. A formação é, antes de tudo, obra da graça. Também temos de contribuir com nosso esforço perseverante de fidelidade ao Espírito e de libertação interior. Oração, estudos, experiência são os elementos principais dessa formação – jamais acabada – que nos prepara e nos adapta sempre melhor à nossa tarefa, tendo em conta as exigências atuais e futuras da missão na África.

A natureza, o conteúdo e as modalidades da formação inicial são ditados pelo espírito missionário da Sociedade:

  formação espiritual de inspiração inaciana que torna apto a testemunhar Jesus Cristo por toda a vida;

  formação intelectual, profissional e apostólica em vista da missão;

  formação comunitária em vista da vida e do trabalho em comum;

– formação internacional que desenvolve a abertura de espírito e de coração.

A primeira etapa da formação deve permitir ao candidato discernir melhor sua vocação, diante das exigências da vida missionária na Sociedade. Ela ajuda a progredir em direção a uma verdadeira maturidade humana e espiritual. Ele lhe oferece também elementos de formação doutrinária e profissional, segundo o compromisso a que ele se destina. Esta primeira etapa é organizada em nível das Províncias, em acordo com o Conselho Geral.

O Ano Espiritual, consagrado à reflexão e à oração, visa a desenvolver nos candidatos um apego mais profundo à pessoa de Cristo. Ele tende a fazer descobrir melhor e a experimentar a vida segundo o Evangelho. É uma iniciação teórica e prática à vida da Sociedade, pelo estudo de sua história e de suas grandes orientações missionárias, pela transmissão da tradição viva e pela formação para a vida fraterna segundo o seu espírito. Assim ele permite uma continuação do processo de discernimento. Desde essa etapa, a formação é internacional. Ele é organizado em nível da Sociedade, sob a responsabilidade imediata do Superior Geral e de seu Conselho.

A terceira etapa consiste em um estágio prático de iniciação à vida missionária na África. Conforme nossa vocação missionária, este tempo de formação se faz fora do país de origem dos candidatos.

A quarta etapa continua a formação intelectual, profissional e apostólica, segundo as exigências próprias da vocação dos candidatos clérigos e irmãos as aquisições do Ano Espiritual e do estágio, pois o crescimento para uma vida plenamente adulta em Cristo deve sempre continuar. Ela se desenrola em um Centro de Formação internacional.

FORMAÇÃO LINGUÍSTICA E PASTORAL

A todos os missionários é garantido um tempo suficientemente longo para lhes permitir o estudo sério da língua e da cultura dos povos junto aos quais irão trabalhar, bem como uma iniciação à pastoral da Igreja local.

FORMAÇÃO PERMANENTE E ESPECIALIZADA

A evolução das situações, das ideias e da personalidade própria de cada um acarreta a necessidade de uma formação permanente. A formação inicial já prepara esta formação permanente ao fornecer um método de trabalho e dar o gosto de prosseguir. Aqui, cada um deve sentir-se o primeiro responsável.

Os responsáveis da Sociedade encorajam a formação permanente e lhe asseguram os meios. As iniciativas concretas neste campo e no das eventuais especializações são tomadas em diálogo com todos os interessados.

AUTORIDADE, SERVIÇO, COMUNHÃO

Nós vos pedimos, irmãos, que tenhais toda consideração para com aqueles que se afadigam entre vós e, no Senhor, vos presidem e admoestam. Cercai-os de estima e de extremado amor, em razão de seu trabalho. Conservai a paz entre vós. 1 Tessalonicenses 5,12-13

  A finalidade da organização da Sociedade é a de servir a Missão e a comunhão fraterna. Aqueles que exercem a autoridade cumprem um ministério para com seus irmãos, favorecendo seu dinamismo missionário e construindo a unidade da Sociedade.

A autoridade é exercida com o cuidado de promover o espírito e os traços essenciais da Sociedade, em particular o seu caráter apostólico e comunitário.

Entre irmãos, a autoridade se exerce em um espírito de corresponsabilidade e diálogo.

A autoridade respeita os direitos das pessoas. O cuidado de cada um dos membros da Sociedade cabe em primeiro lugar a seus Superiores.

Na Sociedade, os Superiores Maiores são o Superior Geral e os Superiores Provinciais, assim como seus vigários: o Primeiro Assistente Geral e o primeiro Conselheiro provincial.

O CAPÍTULO GERAL

Convocado pelo Superior Geral, o Capítulo Geral é o primeiro poder da Sociedade para todos os seus interesses espirituais e temporais. O Capítulo ordinário é convocado todos os seis anos.

O SUPERIOR GERAL

 O Superior Geral governa a Sociedade segundo o Direito da Igreja e da Sociedade, e segundo o mandato recebido do Capítulo. Ele tem a autoridade sobre todos os membros e todas as comunidades da Sociedade; ele coordena suas atividades e lhe assegura a unidade. Ele confirma seus irmãos na fidelidade a sua vocação apostólica segundo o espírito da Sociedade. Ele zela pelo bem das pessoas e das comunidades. Para este fim, ele se assegura de que cada Província seja visitada pelo menos uma vez durante seu mandato, por ele mesmo ou por um de seus Assistentes.

O CONSELHO GERAL

O Conselho Geral é composto pelo Superior Geral, que preside, e pelos Assistentes Gerais.

Os Assistentes Gerais têm como função participar da elaboração das decisões, assim como dos atos pelos quais o Superior Geral governa e anima a Sociedade.

OS FUNCIONÁRIOS GERAIS

O Superior Geral e seu Conselho são assistidos em sua tarefa por Funcionários Gerais, em especial pelo Ecônomo Geral e pelo Secretário Geral.

O Superior Geral e seu Conselho podem recorrer também aos serviços de especialistas e de consultores e criar secretariados especializados.

O CONSELHO PLENÁRIO

O Conselho Plenário é uma assembleia composta pelo Conselho Geral, Superiores Provinciais, Funcionários Gerais e responsáveis dos Secretariados especializados. O Conselho Plenário tem como finalidade assegurar:

  • a melhor cooperação entre as diferentes autoridades da Sociedade;
  • uma reflexão em comum sobre a evolução das situações;
  • uma avaliação da aplicação prática das orientações do Capitulo.

PROVÍNCIAS

As comunidades da Sociedade, seus membros e suas casas são agrupados em Províncias, ou fazem parte do Grupo da Casa Generalícia.

A Casa Generalícia forma com algumas outras comunidades e casas um grupo distinto sob a autoridade direta do Superior Geral.

As Províncias =

  • o território deve ter certa unidade, do ponto de vista geográfico, político ou eclesial;
  • As Províncias são formadas pelos missionários que para lá são nomeados. Tanto quanto possível, elas refletem o caráter internacional da Sociedade;
  • os missionários que são originários de dado território, têm um vínculo especial com a Província desse lugar;
  • como os missionários são enviados em comunidade, uma Província, para ser viável, deve possuir um número suficiente de membros e de comunidades;
  • uma Província deve ter um projeto apostólico missionário alinhado com o projeto global da Sociedade;
  • uma Província é constituída sob a autoridade de um único Superior Maior.

SAÍDAS, DEMISSÕES, READMISSÕES

Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso: não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai e vos será dado. Luc 6, 36-38a

Após ter tentado descobrir a vontade de Deus em diálogo franco com seus Superiores, um missionário pode ser levado a tomar a decisão de deixar a Sociedade, temporária ou definitivamente.  A dispensa ou demissão de um missionário deve permanecer como o último passo. Entretanto, a justiça e a caridade podem exigir a dispensa quando foram esgotados todos os outros meios.

A Sociedade zela para que o missionário que a deixou ou que foi dispensado seja tratado segundo as exigências da equidade e da caridade.  No final de um juramento temporário, um missionário está livre para deixar a Sociedade. o Superior Geral pode dar a um missionário de juramento perpétuo a permissão para viver fora da Sociedade.  A autorização para viver fora da Sociedade, em vista de eventual retorno definitivo ao mundo, é concedida sob certas condições.