S. Tiago

História

Oficialmente o Brasil passou a pertencer a Portugal em 21 de abril de1500, quando o rei D. Manuel se apossou destas terras, cujos donos eram os indígenas que aqui habitavam milhares de anos antes. Infelizmente, eles não sabiam escrever e, por isso, não nos deixaram recordações de seu extermínio, de sua escravidão. A história é assim mesmo: ela sempre dá razão para o mais forte, para aquele que pode explicar o que está fazendo.

A 1o de maio de 1500, Frei Henrique de Coimbra celebrou no Brasil a Primeira Missa e plantou o Cruzeiro. Chegava a estas terras o Sinal da Salvação, o sinal do crucificado-ressuscitado; lançava-se, aqui, pela primeira vez, a mensagem de um Deus que é Pai de todos, sem distinção de raça, cor, sexo, status. Iniciava-se a missão cristã em terras brasileiras.

As missões e a organização da Igreja ficavam a cargo do rei de Portugal. E isso até a independência, em 1822, quando a autoridade religiosa foi transferida para o Imperador do Brasil, até a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. O rei mandava em tudo: escolhia os bispos (que depois o Papa aprovava automaticamente), criava dioceses, nomeava vigários, construía igrejas, seminários, nomeava os professores dos seminaristas, pagava os padres, controlava os missionários, e tudo o mais.

Quem recolhia o Dízimo (imposto religioso) era o rei, e dele fazia o que bem entendia, dando parte muito pequena para a Igreja. Exercia como que a função de “Papa” entre nós. Nenhum documento do Papa entrava ou era publicado e obedecido no Brasil sem aprovação do rei. Ou do Imperador, de 1822 até 1889. Quer dizer que, efetivamente, o Papa tem autoridade real aqui há pouco mais de 100 anos…

Como isto foi possível? Havia em Portugal uma Ordem religiosa chamada “Ordem de Cristo” (constituída com os espólios da Ordem dos Templários). Fora aprovada pelo Papa João XXII em 1319. Com o tempo, o rei de Portugal tornou-se seu Grão-Mestre, dispondo de seus membros e de seus bens. Em 1454, o rei Dom Afonso entregou a essa Ordem a jurisdição espiritual nas terras que Portugal conquistara ou conquistasse. Este tipo de jurisdição chama-se “Padroado”. Em poucas palavras: a Ordem de Cristo era responsável pela vida religiosa das terras pertencentes a Portugal. Sendo o rei seu Grão-Mestre, será ele o “Papa”, se assim se pode dizer, da Igreja nas terras de seus domínios.

Quando o Brasil foi conquistado, ficou sob o governo da Vigararia de Tomar, Sede da Ordem de Cristo, até 1514. Depois, o Brasil foi sujeito à Diocese de Funchal, na Ilha da Madeira, até 1536, retornando ao Governo da Vigararia de Tomar, até 1551.

O rei de Portugal, muito esperto, conseguiu suprimir essa Vigararia, em 1551, incorporando a Ordem de Cristo à Coroa Portuguesa e, oficialmente, a 30 de dezembro de 1551, o Papa Júlio III entregava à Ordem de Cristo – o que significa, ao rei de Portugal – todas as terras portuguesas. Um pouco antes, o rei Dom João III tinha solicitado ao Papa a criação de uma Diocese em terras brasileiras.

A Diocese de São Salvador da Bahia: 1551. O pedido do rei foi aceito pelo Papa Júlio III, que criou a primeira diocese brasileira, com um território que compreendia todo o país.

Plano de Pastoral da diocese

Arquidiocese de São Salvador da Bahia

Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Salvador da Bahia 2015-2019

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 23,28).

Texto aprovado na Assembleia Arquidiocesana de Pastoral de 21 de novembro de 2015.

A PALAVRA DO ARCEBISPO

Quem não sabe aonde quer chegar, não chega a lugar nenhum, ensina a milenar sabedoria chinesa. Nós, da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, temos, como qualquer Igreja Particular, um grande leque de responsabilidades. Somos chamados a pregar a Palavra de Deus, a unir o povo em torno de Jesus Cristo e a apresentá-lo, por Cristo, no Espírito Santo, ao Pai.

Como, no meio das inúmeras atividades, não perder o foco? Como dar uma resposta adequada aos desafios a serem enfrentados? Este Plano de Pastoral quer chamar a atenção de todos os agentes de pastoral para algumas necessidades especiais. Por serem especiais, merecem uma atenção particular.

De propósito, é um Plano muito simples um Plano que pode e deve ser estudado e revisto a todo momento. Para a sua execução, todos são convocados inclusive, você!

Enfim, irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, tende um mesmo sentir e pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. […] A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,11.13).

Dom Murilo S.R. Krieger, scj Arcebispo de São Salvador da Bahia

OBJETIVO GERAL

EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo (CNBB DGAE ).

APRESENTAÇÃO

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia elaborou o Plano de Pastoral da Arquidiocese à luz das Diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e das orientações da CNBB – Regional Nordeste 3. Moveunos a certeza de que Planejar a pastoral não é um processo meramente técnico. É uma ação carregada de sentido espiritual. Por isto, todo processo precisa ser rezado, celebrado e transformado em louvor a Deus (DGAE, n. 140).

Temos consciência de que a paróquia deve ser pensada e deve atuar de acordo com o modelo de Igreja apresentada pelo Concílio Vaticano II: uma Igreja comunhão de vocações e carismas, a serviço da missão de evangelização e de transformação do mundo. Somos convidados, como Igreja Peregrina, a viver com novo ardor missionário, animados pelo Ano Santo da Misericórdia ( a ), empenhando-nos na luta pela renovação pastoral das nossas comunidades, superando toda estrutura caduca.

PRIORIDADES PASTORAIS ARQUIDIOCESANAS A PARTIR DAS CINCO URGÊNCIAS:

A) Igreja em estado permanente de missão: Desenvolver ações diferenciadas, que possam atingir os fiéis que frequentam regularmente nossas comunidades, as pessoas batizadas que delas não participam, aqueles que são indiferentes, os grupos humanos e as categoriais que mais necessitam de apoio, particularmente, a Juventude e a Família; Realizar missões populares (COMIDI e COMIPA).

B) Igreja: casa de iniciação à vida cristã: Desenvolver a Catequese segundo o processo de Iniciação à Vida Cristã, tendo o seu conteúdo inspirado numa relação estreita entre a Palavra de Deus e a Catequese, entre a Catequese e a Liturgia. Formar leigos discípulos(as) missionários(as). Elaborar um roteiro de processo formativo baseado em cinco aspectos: encontro com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão, para ser desenvolvido nas paróquias, tendo orientações para as etapas desenvolvidas em nível de Forania e de Arquidiocese. 6

C) Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral: Desenvolver um processo de formação de minis- tros e ministras da Palavra (Leitores), dando ênfase à realização de encontros de formação sobre a leitura orante da Palavra de Deus (Lectio Divina). Formar equipes de animação bíblica e definir suas atribuições.

D) Igreja: comunidade de comunidades: Continuar o processo de descentralização das paróquias em unidades menores e valorização das diversas formas de pequenas comunidades, particularmente os grupos bíblicos. Desenvolver ações pastorais e evangelizadoras que atuem em conjunto, em vista do fortalecimento de ações, para atingir um maior número de pessoas.

E) Igreja a serviço da vida plena para todos: Dar uma atenção especial à família. Formar pessoas e comunidades à luz da Doutrina Social da Igreja, em vista da presença e da atuação da Igreja nas periferias geográficas e existenciais, bem como na defesa da mulher, das pessoas com deficiência e dos idosos. 7

CONCLUSÕES

Para o bom funcionamento do plano pastoral são necessários evangelizadores que se abram sem medo à ação do Espírito Santo, que anunciem a Boa-Nova com uma vida transfigurada pela presença de Deus e que rezem e trabalhem (cf. DGAP, 128).

É necessário suscitar, em toda Arquidiocese, uma forte consciência missionária, para que todos tomem iniciativas e saiam ao encontro das pessoas e das famílias (cf. Mc 16,15);

Confiamos à Nossa Senhora da Conceição da Praia todo esforço que for feito para a execução do Plano de Pastoral Pedimos que ela apresente a seu Filho Jesus os frutos que, por graça divina, nascerem dessa execução.