Retiro Clero Região Belém

RETIRO DO CLERO – REGIÃO EPISCOPAL BELÉM – Março/ 2017
Tema: Reencontrar a harmonia pela misericórdia de Deus. Os caminhos do Cristianismo.

Pregador: Pe. Moussa Serge Traore. O Padre Sérgio é Africano de Burkina Faso, um país da África do Oeste. Ele é o Superior dos Missionários da África no Brasil. Os Missionários da África são um Instituto Missionário de Padres e Irmãos, dedicado à missão ad gentes, fundado em 1868 na Argélia, África do Norte, pelo Cardeal Francês Charles Lavigerie para o anúncio do evangelho aos africanos com um respeito das religiões e culturas. Os Missionários da África estão baseados na cidade de Salvador. O Pe. Sérgio tem várias experiências missionárias: foi missionário no Ruanda (África central), no Egito (África do Norte), na Mauritânia (África do Oeste). Tem um Mestrado em Missiologia especialização em Estudos das Religiões e Culturas da Pontifícia Universidade Gregoriana. É também um experto do Islã, graduado do Pontifício Instituto de Estudos do Árabe e das Ciências Islâmica, Roma. Ele é autor de vários artigos e um livro sobre o diálogo entre a Igreja Católica e a Religião Islâmica (The Truth in Islam according to the Official Teaching of the Catholic Church, 2010). Ele é o Diretor do Centro Cardeal Lavigerie de Estudos e de Pesquisas para o diálogo inter-religioso e intercultural na Universidade Católica do Salvador. Ele é também administrador de uma paróquia e coordenador do COMIDI de São Salvador da Bahia. É um dos assessores do Centro Cultural Missionário de Brasília onde participa da formação dos missionários. No ano passado, na ocasião do ano da misericórdia, o Padre Sérgio foi instituído Missionário da Misericórdia pelo Papa Francisco.

Ele publicou um livro sobre os caminhos do Cristianismo para reencontrar a harmonia, a partir da sua experiência missionária num país despedaçado por uma guerra gerada pelo ódio entre irmãos. Seu livro, Reencontrar a harmonia pela misericórdia de Deus Os caminhos do Cristianismo (2016), será usado como texto de base do retiro.

Apresentação: Como reencontrar a harmonia de vida, a felicidade, a alegria de viver depois de uma experiência de sofrimento? Como nós, sacerdotes, podemos ajudar as pessoas que passaram por sofrimento a reencontrar a vida? Muitas vezes nos sentimos desarmados, perdidos diante do nosso sofrimento e do sofrimento dos outros. No Ruanda, escutando o sofrimento das pessoas me senti sem resposta bem que me considerava bem preparado para a minha missão como sacerdote em situação de guerra. Nas minhas pesquisas sobre as religiões me encontrei com católicos ou ex católicos que afirmaram que o cristianismo católico não os ajudou a reencontrar a harmonia de vida. Mas as religiões asiáticas com o seu misticismo, as religiões tradicionais africanas com a força dos rituais, ou o pentecostalismo com as suas orações fortes de libertação conseguiram. Sabemos que é Deus que dá vida. Mas como? Procurei a resposta. No cristianismo católico têm caminhos que podem nos ajudar a fazer a experiência da misericórdia de Deus, experiência de passar das trevas a luz, da morte a vida. Proponho de aprofundar estes caminhos neste retiro. Estes caminhos são um tesouro da Igreja Católica. São caminhos que experimentei. Falo a partir da minha experiência pastoral, a partir de meu coração, a partir de horas de escuta, a partir das minhas lágrimas diante do sofrimento da pessoa humana, a partir de dias de meditação e noites de oração em busca de ajuda divina para a ovelha despedaçada que Deus me confiou. A nossa missão é grande. Muitos dos nossos fiéis são ossos dessecados pelo sofrimento e que andam pelas ruas mascarados. A nossa missão é dar vida a este povo sofrido, e vida em abundância, pois uma ferida não curada faz da pessoa uma bomba. A violência externa é expressão de uma violência interna. O problema da vida sacerdotal autêntica não está na briga pelo poder, na ganância por riqueza, ou na castidade mal vivida. A raiz do nosso problema está na ausência de contato com o sofrimento humano ou a fuga do sofrimento, a fuga da nossa responsabilidade diante do sofrimento humano. Tocar o sofrimento das pessoas (compadecer) e dar uma resposta divina (misericórdia) a este sofrimento é a nossa missão, é a nossa vida. Ofereço neste retiro um pouco da minha experiência missionária de misericórdia.

Seguiremos a programação estabelecida (cf. programação). 09:00 – 09:40: conferência do pregador.

PROGRAMAÇÃO

Dia 0: A noite da alegria: a luz brilha nas trevas

  1. Passagens clássicas para um retiro:
    Jesus é o modelo do sacerdote bem ocupado, ativo, dedicado, que não tem tempo para descansar. (Mc3, 20-21 burnout? Não!) é bom uma padre dedicado. Quantas pessoas que têm famílias cordam as 5horas para pegar o ônibus para chegar no horário no trabalho. Quantas mulheres acordam as 4 horas para comprar coisas para vender para ganhar 50 reais por dia para nutrir a familia e pagar o dízimo da igreja. Guerreiras que eu admiro. Lutam o dia todo e a noite devem chegar também na igreja para a vida da igreja. Entao É bom ver um padre que “trabalha”, um padre que como Jesus: reza, prega, cura, administra, visita…

Jesus nunca caiu em depressão ou foi vítima de burnout. Porque?

Jesus sabia descansar:
Mc1, 35-39
Mc3, 7
Mc4, 35: passemos a outra margem… deixando a multidão eles levaram Jesus
Mc6, 30 vinde vós á parte num lugar deserto e descansai um pouco

  1. Estamos vivendo num mundo de trevas na igreja, nas familias, no país, na vida, um mal estar em mim…
    Mas esta noite olhe para a luz que brilha nas trevas.

2.1 Tem coisas boas

João 1,
5: e a luz brilha nas trevas e as trevas não as compreenderam
9: O verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.

O Cristianismo é a luz que resplendece nas trevas. Não é um combate no mal, não temos mitos de guerra dos deuses que faz brotar a vida, e a religião. O Cristianismo é “O Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória essa que, Filho único cheio de graça e de verdade, ele tem da parte do Pai.”

É preciso alegra-se: Lc 10, 17-21, eu te louvo

Exemplo: a americana violentada; o advogado perdoado; a missa celebrada em tempo de guerra e a benção recebida da menina

2.2 Obrigado Padre, o senhor é uma luz na minha vida

Você está bem
Você faz parte dos benditos do Pai do evangelho de Mt 25, de hoje
Sinta-se amado, valorizado: Is 43, 1-4
Isaías 43:1 E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu.Isaías 43:2 Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te submergirão; se caminhares pelo fogo, não te queimarás, e a chama não te consumirá. Isaías 43:3 Pois eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu salvador. Dou o Egito por teu resgate, a Etiópia e Sabá em compensação.
Isaías 43:4 Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti.
Isaías 43:5 Fica, tranqüilo, pois estou contigo, do oriente trarei tua raça, e do ocidente eu te reunirei.

Dia 1: contemplamos as trevas do mundo

Trevas no mundo: exemplos; Is1,
Trevas em nós: gen 6, 5-6; Caim mata Abel (ciúmes?)
Porque?
E de dentro mt15
Is1;Isaías 1:5 Onde vos ferir ainda, quando persistis na rebelião? Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, abatido. Isaías 1:6 Desde a planta dos pés até o alto da cabeça, não há nele coisa sã. Tudo é uma ferida, uma contusão, uma chaga viva, que não foi nem curada, nem ligada, nem suavizada com óleo.
Jer 17, 9-10

Meditações sobre “a verdade no fundo do ser”: A vida é possível quando se é sincero com seu próprio sofrimento.

Salmos 50:8 Não obstante, amais a sinceridade de coração. Infundi-me, pois, a sabedoria no mais íntimo de mim.

Textos: não é uma meditação exegética. Estamos procurando a experiência de reencontrar a vida pela sinceridade.

Adão : Gênesis 3:8 E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim. Gênesis 3:9 Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?” Gênesis 3:10 E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me.” [a sinceridade está em expressar o que vc sente em suas entranhas] ”Gênesis 3:11 O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?”

  1. Davi: o Natã prefere desacomodar a Davi para levá-lo a uma sinceridade sem defesas. Para isto Natã conta a parábola do rico para tocar a sensibilidade de Davi. II Samuel 12:5 Davi, indignado contra tal homem, disse a Natã: Pela vida de Deus! O homem que fez isso merece a morte. II Samuel 12:6 Ele restituirá sete vezes o valor da ovelha, por ter feito isso e não ter tido compaixão.II Samuel 12:7 Natã disse então a Davi: Tu és esse homem. II Samuel 12:13 Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás. Porque Deus perdoou?
    Salmo 50 revela o porque: Salmos 50:8 Não obstante, amais a sinceridade de coração. Salmos 50:18 Vós não vos aplacais com sacrifícios rituais; e se eu vos ofertasse um sacrifício, não o aceitaríeis. Salmos 50:19 Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar.
  2. A sinceridade de Pedro: A negação de Pedro e a sinceridade de Pedro. A lembrança de Jesus falando a Pedro soltou as lágrimas amargas.

Como? Momentos de sinceridade que salvam:
O sacramento da reconciliação
O acompanhamento espiritual

Dia 2: Tu és esse homem. A questão da identidade. Redescobrir a nossa identidade real. Quem é você? Quem sou eu?

O sofrimento, pecado, problemas, conflitos, crises…. quem sou eu realmente?

Experiência do encontro com extremistas: quem sou eu? Voltar para o essencial da nossa vida.

Para superar as crises é preciso redescobrir a sua identidade real. O pecado é um fato, um acontecimento não muda a minha identidade.
Para ajudar a sair das profundezas, das trevas, é preciso tomar consciência que pertencemos ao Alto
Quando descobrimos quem somos nós realmente podemos curar-nos de nossas feridas.

Fazemos a experiência do domínio, de poder do mal, do sofrimento… “eu tenho o poder de te crucificar”… você é pedófilo, você é adúltero, você é ladrao, você é homosexual…você é traidor… a nossa missão é de ajudar as pessoas a realizar que elas não são

Temos falsas identidade roubadas ou adquiridas. O mal, o sofrimento nos dá uma falsa identidade.

O que significa: eu sou cristão, eu sou sacerdote, eu sou Diácono, eu sou bispo, eu sou missionário… é identidade não é função

Assumir uma outra identidade pode criar muitos problemas.

Exemplo de Cristo

Meditação sobre a identidade de Deus: Deus é amor.

Cristo:
Oração
Mandamentos
Coração manso e humilde
Compaixão e misericórdia
Comunidade- igreja: Deus trino
Missão, sair, ir ao encontro: a encarnação

Book: the holy longing of Ronald Rolheiser. Os elementos não negociáveis da espiritualidade cristã.

Lucas 13, 10-17

Quem é o Deus que nós pregamos? A imagem que tenho de Deus dá vida
Crer em Deus amor, pregar um Deus amor… ajudar o povo a fazer a experiência de um Deus amor.

Lucas 15 a parábola do Pai Misericordioso, sobre Deus
O Pai de Sara Tb

Falar de Deus, revelar Deus, um Deus Amor, um Pai Misericordioso.

EXAME DE CONSCIÊNCIA
eu e Deus
Eu e a Igreja
Eu e o clero
Eu e minha família
Eu e as pessoas
Eu e eu mesmo

Dia 3: Permanecer de pé

colóquios, como adiante se dirá [168]. 1
165– APrimeiramaneiradehumildadeénecessáriaparaasalvaçãoeterna,asaber:queassimme abata e assim me humilhe, quanto em mim seja possível, para que em tudo obedeça à lei de Deus
2
nossoSenhor, detalsorteque,nemquemefizessemsenhordetodasascoisascriadasneste
mundo, nem pela própria vida temporal, eu nem esteja a deliberar se hei-de infringir um mandamento, quer divino quer humano, que me obrigue a pecado mortal.
1
166– ASegunda[maneiradehumildade]é[uma]humildademaisperfeitaqueaprimeira,asaber:
se eu me acho em tal ponto que não quero nem me apego mais a ter riqueza que pobreza, a querer
2 honraquedesonra,adesejarvidalongaquecurta, sendoigualserviçodeDeusnossoSenhore
salvação da minha alma; e, a tal ponto que, nem por tudo o criado, nem que me tirassem a vida, eu não esteja a deliberar se hei-de cometer um pecado venial.
1
167– ATerceira[maneiradehumildade]é[uma]humildadeperfeitíssima,asaber:quando,
2 incluindoaprimeiraeasegunda,sendoiguallouvoreglóriadadivinamajestade, paraimitare
3 parecer-memaisactualmentecomCristonossoSenhor, euqueroeescolhoantespobrezacom
4 Cristopobrequeriqueza;desprezoscomCristocheiodelesquehonras; edesejomaissertidopor
insensato e louco por Cristo que primeiro foi tido por tal, que por sábio ou prudente neste mundo. 1
168– Nota.Assim,paraquemdesejaalcançarestaterceirahumildade,muitoaproveitafazeros 2
trêscolóquiosdosBinários,jámencionados[156;147], pedindoquenossoSenhoroqueira escolher para esta terceira maior e melhor humildade, para mais o imitar e servir, se for igual ou maior serviço e louvor para sua divina majestade.

É preciso meditar a paixão de Cristo
Dois textos:
Getsêmani: Mc 14, 32 – 42 e Lc19, 21

Jesus permaneceu de pé na paixão dele.

Lc 19:

Levanta-te. Quem sofre não tem força para se levantar
Fica de pé

Somos um povo bem frágil: uma criança em depressão por não ter recebido o jogo video que ele queria
Sofremos por causa de ma palavra dita que me doe

Admiramos a resiliência dos povos:
A igreja católica
Os cristãos do oriente
Os pobres da África que comem uma vez por dia
O povo de Israel
O povo também de palestina (cristãos)
O povo de Ruanda

Nasci, cresci ficando de pé num mundo que nao e cristão católico. Nos aprendemos a falar da nossa fé cristã… a nos defender… sem violência… aprendemos a responder as perguntas. a RESILIÊNCIA
Experiência do templo na India

A meditação dos 3 degraus de humildade

Resposta ao sofrimento, a paixão =
Carregar a cruz de pé
Agere contra: Sto Inácio
Contemplar a paixão de Cristo: como Cristo carregou a cruz dele? De pé : a força para vigiar

Mc 14 e 15: nao tiveste força para vigiar uma hora? (Getsêmani)

A flagelação e a coração de espinhos eram tão fortes que Jesus nao tinha mas força física para carregar a cruz. Começou e foi ajudado por Simao de Cirene.

É preciso uma resiliência

Meditação
João 19: 25.Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
[TEB] Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé a sua mãe

Ponto 1: A mãe de Jesus estava junto a cruz, perto da cruz. Ela não foge. Ela não abandona. Ela fica perto, junto. Os outros evangelistas dizem que todos abandonaram Jesus e que as mulheres seguiam “a distância”. Foi o tempo da nossa escuridão. Agora que vimos a luz, somo luz, é preciso nos colocarmos junto a cruz, perto da cruz…

Ponto 2: uma mãe olha para seu filho innocente sendo assassinado. Ele tremiu quando ele deu um grande grito. Ele compadece, sentiu a dor do filho, ela chora e ela está presente… Is 49, 16

Ponto 3: ela está de pé, permanece de pé. Este “de pé” diz tudo sobre nossas forças interiores. Não se trata de autocontrole. Trata-se de forças espirituais e psicológicas. É a vitória sobre o mal. Ela não vai capitular. É o mal que capitulou.

Resumo:

Ouvindo os padres descubro que as situações extremas eclesiais que eu conto se encontram também no brasil. Não podemos mais fingir que o brasil é católico. Tem lugares onde um católico nao é bem-vindo. Tem ódio dos católicos, igrejas vazias, uma indiferencia total a religião, uma perseguição, e nós estamos perdendo fieis.

Vejo 5 igrejas católicas no brasil que tentam de responder

Latin romana catequese et liturgia
Irmandade (inculturacao,)
Carismática
Devocional
Social

A cruz, o sofrimento está no centro da nossa religião. Cristo sofreu. É um sofrimento que salva.

Muitos dos nossos fieis deixam a igreja ou frequentam a igreja e outras religiões por que não respondemos ao sofrimento deles. O povo corre para as religiões esotéricas…misteriosas… técnicas de yoga… nao prestamos muito atenção ao sofrimento deles.

Devemos escolher de ser um clero de observância das leis, de serviço ou de imitar a pessoa de Cristo e escolher de andar no caminho da cruz. A imitação de Cristo é maturidade espiritual mais perfeita. É entrar no caminho da cruz

É preciso re-viver na nossa carne, com sentimentos, a paixão redentora de Cristo. Que não seja só uma memória litúrgica mais um verdadeiro sentir, reviver como por exemplo a festa da tendas em Israel, um reviver da história de um povo que vivia no deserto nas tendas. Trata-se de uma experiência de salvação. Neste sentido que o filme A Paixão de Mel Gibson foi feito, e o novo filme O silêncio.

O Ator Pedro Sarubbi, que fez o papel de Barrabás, no filme, Paixão de Cristo, confessa que se converteu durante a gravação do filme ao olhar para Jesus.
Pedro Sarubbi que deu uma entrevista ao jornal italiano Avvenire, relatou que queria interpretar São Pedro mas o diretor Mel Gibson “tinha escolhido os atores baseando-se na semelhança com os personagens retratados nos quadros de Caravaggio e outros pintores”.
Barrabás é como um cão feroz, me dizia Gibson, mas há uma ocasião em que se torna um cachorrinho: ao encontrar-se com o Filho de Deus quando se salva.
Quero que seu olhar seja daquele que vê Jesus pela primeira vez ’. Fiz como ele me havia dito, e quando nossos olhos se cruzaram senti uma espécie de corrente; era como se olhasse de verdade para Jesus.
Nunca tinha me acontecido uma coisa parecida em todos os meus anos de carreira”. Para Sarubbi,”A Paixão” “foi uma experiência não só profissional, mas também, e sobretudo, humana.
“Não me envergonho de dizer que me converti durante a filmagem. Todos nós atores que participamos do filme mudamos um pouco depois dessa experiência, mas eu aprendi muito mais com o filme do que em qualquer conferência”.
O filme trata sobre dois sacerdotes jesuítas que enfrentam uma perseguição violenta quando viajam ao Japão no século XVII em busca do seu mentor desaparecido, sobre quem há rumores de que renunciou à sua fé sob tortura.

“Silêncio” foi dirigido por Martin Scorsese e é protagonizado por Andrew Garfield,

Dom Robert Barron, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Los Angeles, faz a seguinte crítica sobre o filme:

“Silêncio”, baseado no livro homônima de Shusaku Endo,

A história acontece na metade do século XVII no Japão, onde há uma perseguição feroz contra a fé católica. A este país perigoso chegam dois jovens sacerdotes jesuítas (interpretados por Adam Driver e Andrew Garfield), descendentes espirituais de São Francisco Xavier que são enviados para encontrar o Pe. Ferreira, seu mentor e professor do seminário que, conforme os rumores, havia apostatado sob tortura e, na verdade, havia passado para o outro lado.

Imediatamente ao chegar em terra, são recebidos por um pequeno grupo de cristãos japoneses que tinham mantido a sua fé clandestinamente durante muitos anos. Devido ao perigo extremo, os jovens sacerdotes se veem obrigados a se esconder durante o dia, mas podem participar do ministério clandestino à noite: batizando, catequizando, confessando, celebrando a Missa. Entretanto, em pouco tempo, as autoridades percebem a presença deles e começam a suspeitar dos cristãos locais, aos quais rodearam e torturaram com a esperança de descobrir os sacerdotes.

A cena mais memorável do filme, pelo menos para mim, foi a crucificação no mar de quatro corajosos crentes leigos, que foram amarrados em cruzes na margem, sendo atingidos pela maré até se afogar durantes vários dias.

Posteriormente, seus corpos são colocados em piras de palha e queimados até se tornar cinzas, aparecendo para todo mundo como holocaustos oferecidos ao Senhor. Com o passar do tempo, os sacerdotes são capturados e submetidos a uma forma única e terrível de tortura psicológica.

O filme se centra nas lutas do Pe. Rodrigues. Como cristãos japoneses, homens e mulheres que tinham arriscado suas vidas para protegê-lo, são torturados em sua presença e convidados a renunciar a sua fé para pôr fim à tortura. Somente pisando em uma imagem cristã, realizando um simples sinal externo ou uma formalidade vazia, libertaria os seus colegas da dor, mas como bom guerreiro, nega-se.

Até mesmo quando um cristão japonês é decapitado, não se rende. Finalmente, esta é a cena mais devastadora no filme, é levado diante do Pe. Ferreira, o mentor que estava procurando desde a sua chegada ao Japão.

Todos os rumores eram verdadeiros: este antigo professor da vida cristã, este herói jesuíta, renunciou à sua fé, casou-se com uma esposa japonesa e vivia como um filósofo sob a proteção do Estado.

Utilizando uma variedade de argumentos, o sacerdote em desgraça tenta convencer seu ex-aluno a abandonar a missão de evangelizar no Japão, país que denominou como um “pântano” onde a semente do cristianismo nunca pode enraizar.

No dia seguinte, diante da presença de cristãos terrivelmente torturados, pendurados de cabeça para baixo dentro de um poço cheio de excrementos, é lhe dada novamente a oportunidade de pisar em uma representação do rosto de Cristo.

No apogeu de sua angústia, resistindo do fundo do seu coração, Rodrigues ouve o que acredita ser a voz do próprio Jesus e, finalmente, rompe o silêncio divino dizendo-lhe que pisoteie a imagem. Quando o faz, um galo canta ao longe.

Como resultado de sua apostasia, segue os rastros de Ferreira e se torna um pupilo do Estado, um filósofo bem alimentado e bem provido, aos quais regularmente são chamados a pisar uma imagem cristã e renunciar formalmente a sua fé. Depois, adota um nome japonês, uma esposa japonesa e vive por muitos anos no Japão até o dia de sua morte, aos 64 anos, recebendo um enterro em uma cerimônia budista.

O que devemos fazer ante esta história estranha e inquietante? De fato, quase todos os comentários que li, especialmente de pessoas religiosas, enfatizam como “Silêncio” traz maravilhosamente a natureza complexa e ambígua da fé.

O que quero dizer é que o establishment secular sempre prefere os cristãos vacilantes, inseguros, divididos e ansiosos por privatizar sua religião. E está muito disposto a desprezar as pessoas apaixonadamente religiosas, taxando-as de perigosas, violentas e, sejamos realistas, não tão brilhantes.

Revise o discurso de Ferreira a Rodrigues sobre o suposto cristianismo simplista do laicato japonês se duvida de mim neste ponto. Pergunto-me se Shusaku Endo (e possivelmente Scorsese) estava nos convidando a afastar o olhar dos sacerdotes e redirecioná-lo a esse maravilhoso grupo de piedosos, dedicados e pacifistas leigos que mantiveram viva a fé cristã sob as condições mais inóspitas imagináveis e que, no momento decisivo, presenciaram Cristo com suas vidas. Enquanto os especialmente treinados Ferreira e Rodrigues se converteram em leigos pagos de um governo tirânico, simples pessoas que seguiam sendo um espinho no lado da tirania.

Sei, sei. Scorsese mostra o cadáver de Rodrigues dentro de seu ataúde sustentado um pequeno crucifixo, o que prova, suponho, que o sacerdote permaneceu em certo sentido cristão.

Mas, outra vez, essa é justamente a classe de cristianismo que a cultura reinante gosta: totalmente privatizado, escondido, inofensivo. Desse modo, talvez um meio brinde para Rodrigues, mas três brindes com os copos cheios pelos mártires crucificados na praia

O ator Andrew garfield
Ator diz que “conheceu a Deus” interpretando missionário.

Nascido em família judia, Garfield não se considera uma pessoa religiosa, mas revela que durante a preparação para o novo filme “Silêncio” desenvolveu o que chama de um relacionamento “profundo” com Deus.

Ele diz que não pode ser chamado de cristão, mas precisou aprender sobre Cristo e os Evangelhos para interpretar um missionário jesuíta no novo drama histórico do diretor Martin Scorsese.

Garfield, que ficou mais conhecido por sua performance nos dois filmes “O Espetacular Homem-Aranha” de 2012 e 2014, não é mais o galã adolescente de antes.

Preparando-se para viver o português Sebastião Rodrigues, Garfield e seu colega de elenco Adam Driver, foram enviados a um retiro jesuíta para conhecer a ordem religiosa. Ele passou vários dias imerso no estudo das Escritura, das tradições jesuítas, e em oração.

Para ele foi uma pausa em sua confusão espiritual. “Eu estava recebendo todas essas informações, e todo esse desejo de difundir os ensinamentos de Cristo, algo que eu realmente comecei a adorar”, conta.

Apesar de ainda ter suas dificuldades com os sistemas religiosos, Garfield diz que foram suas dúvidas que o levaram a compreender a verdade sobre Deus. “[Agora] Sou um crente com algumas dúvidas”, sublinha. “Mas são essas dúvidas que me empurraram para encontrar um sentido mais puro da alteridade, ou se preferir, de ‘Deus’. ”

Ele teve como professor o padre jesuíta James Martin, que serviu como um mentor espiritual nos dias que Garfield ficou em retiro. O ator conta que Martin o tratava como se ele fosse realmente um “jesuíta em treinamento”. “Tornou-se uma jornada muito individual para mim”, explicou, acrescentando que ele passou a ver Cristo de uma maneira completamente diferente.

Após longos períodos de meditação sobre os textos bíblicos e de oração, ele precisou imaginar a vida de Cristo, história por história, evangelho por evangelho. Por fim, levou bastante tempo realmente pensando sobre a vida e a crucificação do Filho de Deus. Com isso, ele insiste que conseguiu cultivar “uma relação muito profunda, íntima com Deus”.

Para que o sofrimento nos salve é preciso uma atitude de permanecer de pé, uma atitude de resiliência [A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidadesoprie]
É preciso ensinar ao nosso povo a sofrer permanencendo de pé, é preciso fortalecer um povo que se torna mais e mais frágil, psicologicamente. Trata-se de uma educação, uma formação, un treinamento. Não se trata de dar uma informação sobre o sofrimento redentor de Cristo. [Assim meu Pai me ensinou a permanecer de pé e a dar resposta a quem me pergunta sobre a minha fé] Na África nos temos 3-4 anos de catecumenato dos adultos que querem receber o batismo na igreja católtica. Negamos o batismo a quem não está preparado.

O nosso povo se apoia a nós. Devemos ser estes homens que dão força ao povo. Transmitir força ao povo.

A mística consegue colocar a pessoa num relacionamento mais profundo com Deus que fortalece: Trata-se de um apego total a pessoa de Cristo.
Oo misticismo oriental atrae pois trata-se de vivencia, experiência e Não de conhecimento.
Normalmente toda liturgia cristã é mística: encontro de salvação entre Deus e o homem.
O misticismo africano [ritualistico] ajuda o povo a viver os eventos da salvação.

Duas meditações

Genesis 21:

9.Sara viu que o filho nascido a Abraão de Agar, a egípcia, escarnecia de seu filho Isaac,

10.e disse a Abraão: “Expulsa esta escrava com o seu filho, porque o filho desta escrava não será herdeiro com meu filho Isaac.”

11.Isso desagradou muitíssimo a Abraão, por causa de seu filho Ismael.

12.Mas Deus disse-lhe: “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faze tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a posteridade que terá o teu nome.

13.Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça.”

14.No dia seguinte, pela manhã, Abraão tomou pão e um odre de água, e deu-os a Agar, colocando-os às suas costas, e despediu-a com seu filho. Ela partiu, errando pelo deserto de Bersabéia.

15.Acabada a água do odre, deixou o menino sob um arbusto,

16.e foi assentar-se em frente, à distância de um tiro de flecha, “porque, dizia ela, não quero ver morrer o menino”. Ela assentou-se, pois, em frente e pôs-se a chorar.

17.Deus ouviu a voz do menino, e o anjo de Deus chamou Agar, do céu, dizendo-lhe: “Que tens, Agar? Nada temas, porque Deus ouviu a voz do menino do lugar onde está.

18.Levanta-te, toma o menino e tem-no pela mão, porque farei dele uma grande nação.”

19.Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço, onde foi encher o odre, e deu de beber ao menino.

20.Deus esteve com este menino. Ele cresceu, habitou no deserto e tornou-se um hábil flecheiro.

São João 19:25 Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.

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